Biografia de

Carlos Cunha

  1905         2000

Patrono

  Cadeira 52

  Patrono: Carlos Cunha

 

Carlos Cunha era membro de uma família típica do Paraná tradicional. Seus pais foram Eurídes Cunha e Maria José Vieira da Costa. Eurides Cunha, fazendeiro na região de Jaguariaíva, foi prefeito municipal e, de- pois, vice-governador do Estado. Carlos nasceu na Fazenda Samambaia em 2 de novembro 1905. Terminou os estudos secundários em Curitiba e matriculou-se na Faculdade de Medicina do Paraná. Juntamente com muitos colegas transferiu-se, após o primeiro ano, para a Faculdade Nacional de Medicina, no Rio de Janeiro, pela qual colou grau em 1930. Voltou a Curitiba, onde se radicou definitivamente e iniciou a vida profissional. Interessado na área de Radiologia e Radioterapia, que eram pouco desenvolvidas em Curitiba, ligou-se à Faculdade de Medicina, na qual foi admitido como professor assistente de Clínica Dermatológica e Sifiligráfica em 1936. Em 1937 obteve o título de livre-docente da cadeira, o que o habilitou, no ano de 1938, a substituir o professor Luiz Osmundo Medeiros. O curso de Dermatologia e Sifiligrafia era ministrado na Santa Casa e Carlos Cunha permaneceu na regência até 1946. Em 1947 a cadeira foi conquistada em concurso público de títulos e provas por Ruy Noronha Miranda. Carlos Cunha passou a colaborar estreitamente no ensino da cadeira, que continuou a funcionar na Santa Casa até 1957. Neste ano foi terminada a construção da Policlínica Professor Garcez do Nascimento, para onde se transferiu o curso, permaneceu até a transferência para o Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná, em 1962. As dependências da Dermatologia passaram a sediar o Centro de Estudos Leprológicos, de cujos trabalhos e pesquisas Carlos Cunha continuou a participar ativamente.

A orientação da cadeira de Dermatologia e Sifiligrafia que foi adotada por Ruy Noronha Miranda caracterizou-se pela seriedade e rigor no ensino e nas pesquisas, notadamente na área da Leprologia encontrou em Carlos Cunha um colaborador assíduo, leal e dedicado. Não obstante, sempre demonstrou personalidade austera, mesclada com a tolerância que é típica dos homens do meio rural do Paraná tradicional, ao qual o prendiam raízes familiares.

Uma passagem pitoresca, relembrada por Acir Rachid, antigo aluno, depois colega na Universidade bem ilustra sua bonomia. Em situação atípica e angustiante, o quartanista, no exame final de Anatomia Patológica só escapou da reprovação pelo rigoroso catedrático pela sugestão bondosa de Carlos Cunha: Dê-lhe uma segunda chance...

Por certo em sua longa vida profissional, fiel à sua tolerante filosofia, Carlos Cunha muitas vezes deu uma segunda chance.

Fora da Universidade sua vida profissional foi in- tensa e variada.

Durante muitos anos foi médico dos ferroviários federais do Paraná, atendendo-os na capital e ao longo das linhas, em uma assistência extremamente útil. Permaneceu no Serviço Médico do Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Ferroviários e Empregados em Serviços Públicos até sua aposentadoria.

Em Curitiba foi um dos primeiros médicos a se dedicar à Radioterapia, instalando um Serviço especializado na Casa de Saúde São Vicente.

Publicou, juntamente com Ruy Noronha Miranda, como co-autor, o livro Urgências Dermatológicas e Estomatológicas no Paraná, em 1977.

Entre seus filhos, três escolheram a profissão médica: Carlos Alberto, Clínico-Geral, Eurides Cunha Neto, radiologista e Luiz Antonio Munhoz Cunha, ortopedista, professor titular da UFPR..

Faleceu em 6 de agosto de 2000 aos 95 anos de idade.


Carlos Cunha acompanhado da esposa Laura Munhoz Cunha e do filho Luiz Antonio Munhoz Cunha e nora Luciana Loyola Cunha

FBAM