Biografia de

Petit Carneiro

  1876         1940

Patrono

  Cadeira 45

  Patrono: Petit Carneiro

 

Abdon Guimarães Carneiro, filho de Délfica Guimarães e de Manoel Ricardo Carneiro, nasceu em Paranaguá, Paraná, no dia 29 de outubro de 1876. Matriculou-se na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro e doutorou-se em 1898 com a tese Patogenia do Síndroma Paraplégico. Na juventude, na Faculdade do Rio de Janeiro deram-lhe a antonomasia de Petit, que o acompanhou por toda a vida.

Iniciou a carreira em Paranaguá como médico da Santa Casa de Misericórdia. Em 1900 o município foi assolado por um surto de varíola e a eficiência e abnegação com que atuou no atendimento à população humilde, juntamente com José Justino de Melo, está registrada em documentos da época. Interessado especialmente nas doenças infecciosas epidêmicas do país, em 1901 foi para São Paulo trabalhar no Instituto Bacteriológico, dirigido por Adolfo Lutz, e no Serviço Clínico de Rubião Meira na Santa Casa. No mesmo ano trabalhou como assistente de Vital Brazil que dirigia o recém-inaugurado Instituto Butantan.

O Instituto Butantan, em São Paulo, e o de Manguinhos, no Rio de Janeiro, foram fundados para a preparação do soro curativo contra a peste bubônica que eclodira no Brasil em 1899 e em poucos meses o Instituto Butantan disponibilizou as primeiras doses do soro antipestoso. Em novembro de 1901 Petit Carneiro foi designado por Emílio Ribas, chefe do Serviço Sanitário de São Paulo, para acompanhar os resulta- dos da aplicação do soro do Butantan na população de Campos, que fora atingida por grave surto do mal levantino. No relatório de 1902 ele registrou os bons resultados obtidos com o uso do soro paulista, superior ao do Instituto Pasteur. No final da missão em Campos, que durou cerca de dois meses, recebeu homenagens das autoridades e do povo campista.

Os vínculos familiares trouxeram-no de volta a Paranaguá, mas em 1905 mudou-se para Ponta Grossa, onde atuou com presteza contra uma epidemia de escarlatina. Lá, passou a trabalhar no Serviço Médico da estrada de ferro São Paulo-Rio Grande, ao qual manteve-se vinculado após a vinda para Curitiba em 1911.

Na capital paranaense prestou humanitária assistência à população durante surtos epidêmicos. Em 1917 a febre tifoide alastrou-se na cidade atingindo milhares de pessoas e as autoridades sanitárias promoveram a vinda de uma comissão de médicos de São Paulo, chefiada por Teodoro Bayma, para esclarecer o mecanismo epidemiológico. Petit Carneiro foi um dos médicos locais a participar dos trabalhos que confirmaram o papel preponderante do sistema de esgotos na gênese do surto. Em 1918 a gripe espanhola, terrível pandemia virótica que atingiu o mundo todo, também afligiu a população curitibana. Embora de letalidade relativamente baixa, a doença fez centenas de vítimas na cidade e novamente ele se desdobrou na assistência aos gripados, tendo sido, ele próprio, acometido por grave pneumonia gripal dupla.

Dedicou-se por muitos anos à instituição benemérita A Gota de Leite, que distribuía gratuitamente leite pasteurizado às crianças carentes. No Hospital Psiquiátrico Nossa Senhora da Luz da Santa Casa, exerceu as funções de médico alienista chefe do pavilhão 3 de mulheres, dando importante contribuição à assistência aos carentes alienados.

Foi ligado à Universidade do Paraná desde a fundação. O currículo original do curso de Medicina incluía a cadeira de Histologia e ele foi o primeiro a ocupá-la. Permaneceu no magistério até a morte em 1939 e caracterizou-se pela camaradagem que mantinha com os alunos, cujo convívio amistoso se intensificava às vésperas das provas, pois em sua residência dava aulas extraordinárias noturnas e repetia durante o dia as aulas regulares. Marcou também o ensino de Histologia pelas aulas práticas que superavam as puramente dissertativas.

Sua contribuição à Universidade do Paraná também foi relevante durante a fase crítica dos primeiros anos em que a sobrevivência da Instituição esteve ameaçada por falta de professores. Vários mestres se transformaram em “gramofones” dando e repetindo aulas nas mais variadas cadeiras e nesta “fase de vacas magérrimas” Petit regeu, interinamente quase todas as cadeiras do curso básico de Medicina. Em 1918 ocupou a vice-diretoria da Faculdade de Medicina.

Era aberto a muitos interesses culturais e filantrópicos. Foi maçom e grão-mestre da loja de Curitiba durante muitos anos. Filatelista premiado por sua coleção internacional e um charadista emérito que brilhou nas publicações especializadas. Causeur e anfitrião consumado, cultivava a música, a jardinagem e a canaricultura.

Morreu em Curitiba no dia 24 de fevereiro de 1940. Muitos de seus descendentes dedicaram-se ao magistério, incluindo seu filho, o médico Milton Erichsen Carneiro, professor da Universidade do Paraná e patrono da cadeira 39 da Academia Paranaense de Medicina.

Petit Carneiro trabalhou no Hospital Psiquiátrico Nossa Senhora da Luz, da Santa Casa de Misericórdia de Curitiba, durante longo tempo. Na fotografia, de 1935, de pé, da esquerda para a direita: Arzael Martins,Licio Portes,Coriolano Silveira da Motta, Alô Guimarães, Petit Carneiro, Carlos Cunha e André Kloss Netto.

FBAM