Biografia de

Maria Falce de Macedo

  1897         1972

Patrono

  Cadeira 36

  Patrono: Maria Falce de Macedo

 

Maria Falce de Macedo, filha de Philomena Theodora Nadal e de Pedro Falce, nasceu em Curitiba, Paraná, no dia 15 de janeiro de 1897. Recebeu o grau de professora primária em 1913 e fundou o jardim de infância Emilia Erichsen, um dos primeiros a funcionar no Estado, cujo nome homenageava uma antiga mestra-escola curitibana. Dedicou-se ao ensino infantil de 1917 a 1919. Em 1914 surpreendeu por ser a única mulher a matricular-se na Faculdade de Medicina do Paraná, acontecimento inusitado naqueles dias. Até 1929 apenas três outras mulheres graduaram-se em Medicina no Estado: a francesa Marcella Gallinati em 1921 e as curitibanas Yolanda de Almeida Faria em 1926 e Josefina Flacks em 1929. Maria Falce foi a primeira médica a formar-se no Paraná. Em 1919 obteve o grau de doutora apresentando a tese Em Torno de um Caso de Ascaridíase Hepática.

Em 1920 casou-se com o colega de turma José Pereira de Macedo.

Até 1919 a Santa Casa não dispunha de recursos para análises clínicas, havia apenas um pequeno laboratório da Faculdade de Medicina que até 1921 funcionou sob direção de Maria Falce de Macedo. Ela não recebia nenhuma remuneração para tal, fato exaltado pelo então diretor do hospital, Victor do Amaral. Em 1923 fez o curso de Bacteriologia e Zoologia Médica no Instituto Oswaldo Cruz do Rio de Janeiro e em 1926 estagiou na Faculdade de Medicina de Belo Horizonte aperfeiçoando-se em Bacteriologia.

Na volta para Curitiba passou a chefiar o Laboratório de Análises Clínicas da Faculdade na Santa Casa e montou com o marido outro particular.

Em 1926 irrompeu um surto de peste bubônica em Paranaguá e, devido às deficiências do laboratório da Diretoria de Higiene do Estado, o casal Pereira de Macedo realizou um estudo bacteriológico completo, isolando o bacilo de Yersen e caracterizando seu papel etiológico.

O laboratório dos Pereira de Macedo funcionou até 1950 e ao serem encerradas suas atividades todo o equipamento foi doado à Faculdade de Medicina do Paraná.

Em 1929 Falce de Macedo prestou concurso para a cátedra de Química Orgânica e Biológica da Faculdade de Medicina e foi aprovada com distinção defendendo a tese Variação do Teor de Uréia no Sangue Conforme o Modo de Colheita da Matéria. Em 1931 a reforma do ensino superior uniu a cadeira à de Química Fisiológica e passaram a ser dois os catedráticos da disciplina: Falce de Macedo e Antenor Pamphilo dos Santos que, em 1937, prestou concurso e transferiu-se para a cadeira de Fisiologia.

Em 1964 Falce de Macedo implantou um moderno programa de ensino e a disciplina de Química Fisiológica passou a denominar-se Bioquímica. Este setor do ensino médico progrediu e dinamizou-se com a fundação do primeiro Instituto da Universidade do Paraná, o Instituto de Bioquímica.

A carreira docente de Maria Falce de Macedo estendeu-se por três décadas. Mestra querida pelos estudantes, ornada por uma aura de bondade e tolerância, soube fazer florescer um departamento progressista e dinâmico no campo da Bioquímica.

Morreu no dia 24 de abril de 1972.

Comemoração pascal na Santa Casa de Misericórdia, início da década de 1940. Sentado, da esquerda para a direita: Maria Falce de Macedo, Victor do Amaral, arcebispo D. Ático Euzébio da Rocha, Manoel Pereira da Cunha e José Pereira de Macedo. No 2º plano, de pé, da esquerda para a direita: Manoel Cavalcanti, Mario Braga de Abreu, Giocondo Villanova Artigas, Pedro Cerqueira Lima Neto, Jorge Daher, Milton Amaral, Joaquim de Matos Barreto e Levy Buquera. No 3º plano, da esquerda para a direita: Roaldo Amundsen Koehler, Orlando de Oliveira Mello, Álvaro Pinto e Azor de Oliveira Cruz.

FBAM