Biografia de

Alfredo de Assis Gonçalves

  1884         1948

Patrono

  Cadeira 01

  Patrono: Alfredo de Assis Gonçalves

 

Alfredo de Assis Gonçalves, filho de Rosalina de Assis e de João Umbelino Gonçalves, nasceu em Canavieira, Bahia, no dia 8 de julho de 1884.

Completou a educação secundária no Colégio Spencer em Salvador e cursou a Faculdade de Medi- cina da Bahia. Em 1903 recebeu o título de farmacêutico e em 1906 o grau de doutor em Medicina defendendo a tese Prenhez Tripla. Embora possuísse personalidade austera, Assis Gonçalves era afável, bondoso e muito respeitado. O humanitarismo, que marcaria sua carreira, despertou quando ainda estudante ajudou a socorrer as vítimas de uma enchente do rio São Francisco.

Em 1907 trabalhou como médico do navio Jequitinhonha em viagem pelo sul do país. Depois foi ao Amazonas prestar assistência às populações ribeirinhas, mas contraiu malária e voltou para Salvador.
No final de 1908 veio ao Paraná trabalhar no Núcleo Colonial Miguel Calmon e em 1910 foi nomeado médico do Serviço de Higiene de Curitiba.
Em outubro de 1910 embarcou para Paris. Estagiou em grandes hospitais e lá, estudando com Levaditi no Instituto Pasteur, resolveu dedicar-se à Microbiologia. Na mesma viagem visitou a Bélgica, a Alemanha, a Áustria, a Suíça, a Espanha e Portugal.

Ao regressar continuou trabalhando para o município como médico legista da Assistência Pública e do Corpo de Bombeiros de Curitiba. Em 1912 participou da Campanha do Contestado e foi o responsável pela exumação do corpo do coronel João Gualberto Gomes de Sá.

Na época, os serviços de saúde municipais e estaduais sofreram várias reestruturações e o Instituto Pasteur do Paraná passou a ser controlado pelo Estado. Assis Gonçalves acumulou os cargos de diretor do Instituto e de assistente da Seção de Profilaxia da Raiva. Em 1928 foi chamado pelo governo de Santa Catarina para organizar o serviço de combate à raiva naquele Estado.

Em 1940, após trinta e cinco anos de atividade, aposentou-se do serviço público.

Contudo, a maior parte de seu trabalho desenvolveu-se na Universidade do Paraná. Na volta da Campanha do Contestado, a convite de Nilo Cairo, juntou-se aos fundadores da Universidade. Por ser médico legista, designaram-no professor da Faculdade de Direito, mas logo começou a lecionar na Faculdade de Medicina. Em 1913 nomearam-no professor de Fisiologia e após rápidas passagens pelas cadeiras de Clínica Pediátrica e de Química Médica foi trans- ferido para a de Microbiologia. Em 1923 tornou-se catedrático da cadeira e exerceu a função até 1945. Também participou do Conselho Universitário e do conselho técnico das Faculdades de Medicina e de Direito e foi provedor da Maternidade do Paraná.

No período em que a Faculdade de Medicina passou por uma crise que ameaçou a continuidade da escola, Assis Gonçalves era um dos “gramofones” — como mais tarde seriam pitorescamente chamados por Milton Carneiro os professores que regeram as mais variadas disciplinas dos cursos de Medicina, Farmácia e Odontologia evitando que vagassem. A dedicação à Universidade do Paraná fez com que avalizasse títulos bancários carentes de garantia para possibilitar a construção do edifício da praça Santos Andrade e com que cedesse aos apelos de Victor do Amaral para assumir a Secretaria da Faculdade de Medicina. Foi eleito diretor da Faculdade em 1946 e permaneceu no cargo até a morte, em 21 de janeiro de 1948. Em sua gestão iniciou-se a construção do Hospital de Clínicas. Assis    Gonçalves    foi    um        dos        fundadores    da Sociedade de Socorro aos Necessitados, instituição filantrópica    que     ainda    hoje    presta serviços    aos desvalidos e idosos. Precursor da assistência social, em 1928 ele e alguns colegas organizaram a Policlínica Operária que prestava socorro médico e odontológico
a trabalhadores.

Chefe de numerosa família, integrou-se perfeita- mente na comunidade curitibana. Deixou um filho médico, Alcebíades Mäder Gonçalves, professor-assistente da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Paraná.



Celebração da Páscoa dos Médicos na Santa Casa de Misericórdia de Curitiba. Na primeira fila, sentados, da esquerda para a direita: Joaquim de Matos Barreto, Mario Braga de Abreu, Miguel Isaacson, Victor do Amaral, arcebispo Ático Euzebio da Rocha, Alfredo de Assis Gonçalves, Aluizio França, João Vieira de Alencar, Celso Ferreira e José Loureiro Fernandes.

FBAM