1935
Honorário
Emílio Salvador Granato nasceu em 29 de março de 1935, na Vila Izabel, em Curitiba, Paraná, filho de Rafael Granato e Otilia Wendler Granato. A família residia na casa dos avós maternos, Otto Wendler e Joana Fleming Wendler. Aos seis anos, mudou-se para Paulo Frontin, no sul do estado, acompanhando o pai, designado funcionário público da Secretaria Estadual da Agricultura. Nessa época, sua mãe contraiu tuberculose pulmonar, uma doença grave na época, com tratamentos precários que frequentemente levavam ao óbito. Emílio acompanhou a mãe de volta a Curitiba para tratamento, estudando no Grupo Escolar Pedro Macedo. Posteriormente, o pai foi transferido para Palmeira, onde concluiu o ensino fundamental I (primário) no Grupo Escolar Jesuíno Marcondes.
Retornou a Curitiba para morar com os avós e cursar o ensino fundamental II (ginásio) e o médio (científico) entre 1946 e 1953. Estudou sozinho para o vestibular e, em 1956, foi aprovado no curso de Medicina da Universidade Federal do Paraná (UFPR), graduando-se em 1961 como parte da primeira turma formada no Hospital de Clínicas (HC-UFPR), inaugurado em 5 de agosto daquele ano.
A escolha pela Medicina foi motivada pela doença da mãe, cuja saúde deteriorou ao ponto de, por conselho médico, ser levada a São José dos Campos (SP), considerada uma estação de cura para tuberculose. Sem sucesso, retornou a Curitiba, onde, após consulta com o Dr. Daniel Egg, no Hospital São Francisco, submeteu-se a toracotomias em duas intervenções e uma “frênicotripsia” em 1944, obtendo a cura, um caso raro na época que inspirou o jovem Emílio.
Ao final da graduação, sem residências médicas disponíveis, permaneceu como voluntário no HC-UFPR, acompanhando o Dr. Paulo Barbosa da Costa e interessando-se pela hematologia emergente. Aprendeu os fundamentos de exames laboratoriais com o Dr. Alberto Accioly Veiga, obtendo o título de especialista em Patologia Clínica/Medicina Laboratorial em dezembro de 1969 e tornando-se membro efetivo do Colégio Brasileiro de Hematologia em fevereiro de 1970.
Desde 1962, trabalhou no Laboratório do Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Ferroviários e Empregados em Serviços Públicos (IAPFESP), integrado ao Instituto Nacional de Previdência Social (INPS) e posteriormente ao Posto de Assistência Médica - PAM Marechal, onde exerceu a chefia por 12 anos. Em 1992, transferiu-se para o Laboratório do HC-UFPR, aposentando-se como médico da Reitoria em 1994.
Iniciou a carreira docente em 1962, como professor de Bioquímica na UFPR, no prédio central da Praça Santos Andrade, transferindo-se posteriormente para a Rua Coronel Dulcídio, 638, no Batel. Dirigiu a disciplina de Hematologia no curso de Farmácia e Bioquímica como professor auxiliar, alcançando a classe de professor adjunto. Aposentou-se em 1992 como professor adjunto IV do Magistério Superior Federal, após mais de 30 anos lecionando.
Em outubro de 1963, por indicação, ingressou no Laboratório Frischmann Aisengart (LABFA), fundado pelos Drs. Fany Frischmann e Oscar Aisengart. Tornou-se sócio e diretor médico de 1977 a 2005. Mesmo após a venda para a rede Diagnósticos da América S/A (DASA), permaneceu como responsável técnico até os dias atuais, acumulando mais de 61 anos de dedicação ao Laboratório.
Recebeu diversas homenagens ao longo da carreira: o Diploma de Mérito Ético-Profissional do CRM-PR, o Jubileu de Ouro Profissional da UFPR, ambos em 2011, homenagem da Assembleia Legislativa do Paraná em 2023 e o título de Associado Emérito da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial (SBPC/ML) em 2025.
Emílio casou-se com Jeny Cury (in memoriam), com quem tem três filhos.
Sua trajetória na medicina laboratorial envolveu um período de expressivo desenvolvimento tecnológico nos meios de apoio ao diagnóstico, e seu legado inclui perseverança, dedicação e inovação no ensino e na gestão.