Biografia de

Francesco Burzio

  1875         1961

Patrono

  Cadeira 17

  Patrono: Francesco Burzio

 

Francesco Burzio, filho de Catarina Brossa e de Tomazo Burzio nasceu em Poirino, cidade próxima de Turim, na Itália, em 20 de setembro de 1875.

Em 1900 concluiu o curso médico na capital piemontesa e lá clinicou por um curto período. Em 1904 imigrou para o Brasil e prestou os exames de revalidação do diploma na Faculdade de Medicina de Porto Alegre.

Começou a trabalhar no oeste catarinense na cidade de Urussanga e também em São Joaquim, Laguna, Lages e Porto União. Chegou no Paraná em 1908 e estabeleceu-se em Ponta Grossa. Ele e os companheiros Milan Muller von Milasch, farmacêutico sérvio proprietário da Farmácia Internacional onde Burzio instalou seu consultório, e Paulino Ferreira, enfermeiro que o auxiliava, transformaram a cidade em centro de convergência de numerosa clientela que acorria de toda a região e de cidades distantes.

Pertenceu à loja maçônica Fraternidade Lagunense e em Ponta Grossa receberam-no na loja Amor e Caridade II, da qual foi venerável de 1925 a 1926.

Em outubro de 1910 viajou à Itália e ao voltar no ano seguinte foi calorosamente recebido pela população de Ponta Grossa. Logo depois viajou a Curitibampara substituir o conterrâneo Salarolli, que abandonara a Medicina, e na capital paranaense enfrentou uma vil campanha da imprensa local, motivada por um suposto erro médico. O povo ponta-grossense respondeu ao episódio com manifestações de solidariedade e apreço a ele mandando um trem para levá-lo de volta.

Instalou então a primeira casa de saúde particular de Ponta Grossa e com um laboratório bacteriológico, fato incomum nas cidades do interior. Devido à capacidade cirúrgica de Burzio, a cidade permaneceu sendo o grande centro médico do planalto paranaense e continuou a atrair pacientes de todo lugar, até mesmo da capital federal.

Os anos de bonança foram tragicamente interrompidos em 26 de dezembro de 1916, quando um incêndio destruiu o prédio da Casa de Saúde. Era a época da Primeira Guerra Mundial e Burzio decidiu deixar o consultório a cargo de Szymon Kossobudski, clínico em São Mateus, e voltar à Itália para servir no Corpo de Saúde do Exército. Cirurgião experiente, destacou-se pelos serviços prestados no fronte de guerra e foi elevado ao posto de capitão-médico.

Assinado o armistício, voltou para Ponta Grossa onde o aguardava outra recepção entusiástica. Num trem especial as mais ilustres personalidades ponta-grossenses foram recebê-lo em Piraí do Sul e as manifestações populares excederam a qualquer expectativa.

Com prestígio sempre crescente, prosseguiu a bem sucedida prática médica no consultório, na Santa Casa e no Hospital 26 de Outubro da Cooperativa dos Ferroviários.

Em 1930, pela posição geográfica, Ponta Grossa tornou-se importante para as forças revolucionárias do Sul. O apoio da população e dos líderes locais foi claramente pró-revolucionário e Burzio tomou o mesmo partido, colocando à disposição dos rebeldes feridos sua experiência em Medicina de guerra. Situação análoga ocorreu dois anos depois no período da Revolução Constitucionalista em que a cidade tornou- se posto de evacuação de feridos a quem ele também prestou assistência médica.

Mesmo privado do auxílio do lendário enfermeiro Paulino Ferreira, morto em 1932, Burzio permaneceu ativo em Ponta Grossa até 1942, quando se mudou para São Paulo.

Três episódios da vida deste médico ilustram bem o alto conceito profissional que conquistou, apesar de viver numa cidade de interior do então relativamente pouco desenvolvido Paraná.

O primeiro, em 1913, ao ser um dos três eleitos pela recém-constituída Congregação da Faculdade de Medicina da Universidade do Paraná para reger a cadeira de Clínica Cirúrgica, que não chegou a assumir, pois a nomeação coincidiu com a sua ida à Itália durante a Primeira Guerra Mundial.

O outro, em maio de 1915, ao realizar uma operação cesariana em Florianópolis a pedido de médicos daquela localidade e que foi a primeira de que se,teve notícia em Santa Catarina.

O último ocorreu em dezembro de 1938. Num baile de formatura daquele ano houve uma briga na qual um dos envolvidos ameaçava seu opositor com um punhal. Milton Ferreira do Amaral, em generosa tentativa de evitar um desastre, interpôs-se entre os que lutavam e a fatalidade ironicamente o transformou em vítima. Esfaqueado na região crural teve a artéria lesionada e o tratamento cirúrgico de tal ferimento não era comum na época. Durante alguns dias reuniram-se em torno do leito de Milton os mais conceituados cirurgiões de Curitiba, somando suas capacidades para atender o desventurado e benquisto filho de Victor do Amaral, o médico mais respeitado do Estado. Burzio foi chamado e veio às pressas de Ponta Grossa participar da penosa decisão de salvar a vida do paciente à custa de uma amputação.

Francesco Burzio morreu em São Paulo no dia 17 de abril de 1961 aos oitenta e seis anos. O corpo foi transladado para Ponta Grossa, onde repousam seus restos e perdura seu nome na memória agradecida da cidade em que viveu por quatro décadas

Grupo médico fotografado à frente do Hospital 26 de outubro, de Ponta Grossa, identificando-se, sentados, da esquerda para a direita, Antônio Russo, Júlio Azevedo, Francesco Burzio, Joaquim Antônio Loyola, Joaquim de Paula Xavier e Agostinho Ribas. De pé, na mesma ordem, Nadir Macedo da Silveira, Orlando Malucelli Moro e Epaminondas Novais Ribas.

FBAM