Biografia de

Manoel Stenghel Cavalcanti

  1920         2008

Membro Titular

  Cadeira 47 - 1º Titular - Acadêmico Fundador

  Patrono: Reynaldo Machado

Posse: 22/06/1979

 

Manoel Stenghel Cavalcanti, primeiro titular da Cadeira número 47 da Academia Paranaense de Medicina, empossado em 22 de junho de 1979, nasceu em 30 de janeiro de 1920, em Curitiba, Paraná, na casa de seus pais, na Rua Comendador Araújo. Filho de Antônio Braga Cavalcanti, empreiteiro da Rede Ferroviária Federal do Paraná, e de Victoria Stenghel Cavalcanti, filha do engenheiro italiano Achille Stenghel, arquiteto do Mausoléu Paranista do Cemitério Municipal de Curitiba, Manoel cresceu em um ambiente que valorizava o trabalho e a cultura. Em 21 de outubro de 1947, casou-se com Arlette Ribas Cavalcanti, filha do empresário Alcides dos Santos Ribas e de Assuncion Font Julia, nascida em Barcelona, Espanha. O casal teve oito filhos, quatro homens e quatro mulheres, formando uma família unida.

Aos 18 anos, Manoel ingressou no Exército como oficial da Cavalaria, enquanto cursava Medicina na Universidade Federal do Paraná (UFPR), onde se formou em 1940, aos 20 anos. Iniciou sua carreira na Santa Casa de Misericórdia de Curitiba, onde, ao lado do Dr. Joaquim de Castro, fundou o Centro de Hemoterapia, um marco na assistência médica local. Um episódio notável, relatado no livro Mafiosos de Branco (1991), de Moyses Paciornick, destaca sua habilidade e pioneirismo. Em 1950, enfrentando uma emergência com uma recém-nascida em risco de morte por doença hemolítica devido à incompatibilidade Rh, Manoel realizou a primeira exsanguineotransfusão do Paraná, uma das seis primeiras no Brasil. Com precisão e calma, cateterizou a veia safena e a artéria radial, trocando o sangue da criança, que apresentava bilirrubinemia severa e risco de kernicterus. O procedimento, arriscado para a época, foi um sucesso: a icterícia regrediu, a criança se recuperou plenamente e cresceu saudável, casando-se cedo e tendo filhos sadios.

Como cirurgião geral na Santa Casa, sob a liderança do Prof. Mario de Abreu, Manoel destacou-se pela competência. Com a inauguração do Hospital de Clínicas da UFPR, em 1961, integrou o grupo que fundou a 1ª Clínica Cirúrgica, onde atuou até sua aposentadoria, aos 70 anos. Na UFPR, ocupou cargos de relevo, como Chefe do Serviço de Cirurgia Geral do Hospital de Clínicas e Chefe do Departamento de Cirurgia da UFPR e foi Presidente da Associação Médica do Paraná (1969–1971). Sua visão empreendedora foi fundamental na fundação da Unimed Curitiba, da qual foi presidente em gestões consecutivas (1979–1982, 1982–1986, 1986–1990). Sob sua liderança, a cooperativa cresceu, alcançando hoje mais de 500 mil clientes, 5 mil médicos cooperados e 54 hospitais, clínicas e laboratórios, consolidando-se como a maior cooperativa médica do mundo.

Manoel Stenghel Cavalcanti faleceu em 6 de novembro de 2008, aos 88 anos, após uma breve enfermidade. Em reconhecimento à sua projeção acadêmica e profissional, foi agraciado postumamente com o título de Professor Emérito da UFPR. Sua trajetória, marcada por pioneirismo, humanismo e dedicação à cirurgia e à saúde pública, permanece como um legado inspirador na medicina paranaense.



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