Biografia de

Arnaldo Moura

  1923         1991

Membro Titular

  Cadeira 34 - 1º Titular - Acadêmico Fundador

  Patrono: Manoel Pedro dos Santos Lima

Posse: 22/06/1979

 

Arnaldo Moura nasceu em Franca, São Paulo, em 8 de maio de 1923, filho de Epaminondas Moura, um pastor metodista sergipano, e Palmyra Vieira Moura. Sua infância foi marcada por mudanças frequentes entre o Rio de Janeiro (Cascadura) e Juiz de Fora (MG), devido ao trabalho itinerante do pai. Apesar das dificuldades financeiras, destacou-se nos estudos, obtendo bolsas e sustentando-se com aulas particulares. Cursou o ensino básico nessas cidades e ingressou na Faculdade de Medicina da Universidade do Brasil (atual Universidade Federal do Rio de Janeiro) em 1941, graduando-se em dezembro de 1947.

Radicado em Curitiba a partir de 1948, após aprovação em concurso para médico do Instituto dos Comerciários, Dr. Arnaldo especializou-se em cardiologia. Em 1952, obteve o título de Livre-Docente Doutor em Clínica Médica e, em 1958, em Clínica Propedêutica Médica pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Foi um dos primeiros inscritos no Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR 23) e integrou seu primeiro grupo de conselheiros (1959-1963).

Na UFPR, exerceu inúmeros cargos, destacando-se como organizador e primeiro chefe da Disciplina de Cardiologia e Angiologia do Departamento de Clínica Médica; elaborador do plano de estruturação da Faculdade para a reforma universitária, chefe do Departamento de Clínica Médica (1971-1973), membro do Conselho de Ensino e Pesquisa, representando o Setor de Ciências da Saúde, Pró-reitor de Ensino e Pesquisa, e Coordenador do Curso de Pós-Graduação em Medicina Interna. Ao todo, ocupou 25 cargos e funções na instituição, conquistados por concurso ou nomeação.

Além da UFPR, atuou intensamente na Santa Casa de Misericórdia de Curitiba (1949-1991), como médico adjunto, chefe do Serviço de Clínica Médica, vice-diretor clínico (1966-1967) e membro do Conselho Geral, onde também foi diretor. Implementou inovações como a Clínica de Emergências 24 Horas (hoje nomeada em sua homenagem) e o Centro Coronariano Misericor, pioneiro no tratamento intensivo cardíaco. Influenciou a implantação da Residência Médica em Cardiologia e supervisionou residentes até o fim da vida. Na Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), contribuiu com atividades acadêmicas.

Fundou e foi o primeiro presidente da Sociedade Paranaense de Cardiologia (1966). Presidiu a Associação Médica do Paraná (1971-1973), após atuar como secretário, presidente da seção de cardiologia e vice-presidente.

Seus ex-alunos o consideram unanimemente o melhor professor de medicina de suas vidas. Embora de estatura modesta, era um gigante em salas de aula, enfermarias ou reuniões, com envergadura científica, ética e moral inabaláveis. Sua pontualidade britânica, imposição automática de silêncio e análises reflexivas inspiravam concordância e admiração.

Recebeu homenagens como cidadão honorário do Paraná (1975), Honra ao Mérito pela PUCPR (1984) e UFPR (1986), além de ser reconhecido pela Santa Casa (1991) e incluído na Galeria Médica da Fundação Santos Lima, com uma obra póstuma, “Arnaldo Moura, um mestre da cardiologia paranaense” (de Eduardo Corrêa Lima), que perpetua sua memória.

Deixou o exemplo de um homem educado, respeitoso, ético, conselheiro e conciliador. Nas palavras do Acadêmico João Manoel Cardoso Martins, seus objetivos eram “capturar a essência da ciência e doá-la com clareza”. Seu humanismo o levou a idealizar a “Cidade dos Idosos” (ou Cidade da Fraternidade), percebendo que o país em breve teria uma população crescente nesta faixa etária, plantando a semente para o atual Hospital do Idoso.

No âmbito familiar, casou-se com Ruth Vieira Moura, com quem teve quatro filhos: Arnaldo Filho, Álvaro, cardiologista, professor na UFPR e conselheiro do CRM-PR, Carmen e Marina, oftalmologista. Teve netos, incluindo Arnaldo Neto, endocrinologista, Thaís, Raphael, cardiologista, Annelisa, cardiologista, Carolina, Luciana, Andrea, médica, e Éric.

Dr. Arnaldo faleceu em 23 de dezembro de 1991, aos 68 anos, enquanto trabalhava em projetos como o Instituto de Cardiologia da Santa Casa e a Cidade da Fraternidade. Ele deixou um legado pioneiro na Cardiologia e na educação médica paranaense, moldando gerações de profissionais com sua visão humanista e rigor científico. Sua ênfase na ética e na clareza pedagógica inspirou alunos a integrarem ciência e empatia na prática clínica.


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